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sábado, 15 de setembro de 2012

Sobre o aprendizado


A gente acha que sabe de tudo. Que já tem todas as questões resolvidas pro resto da vida, porque somos pretensiosos assim mesmo. Acha que sabe como agir diante de todos os eventos, inclusive aqueles que irão mudar nossas vidas. Acha que o amor é apenas um jogo ou uma invenção romântica e que, pra qualquer dúvida ou problema no meio do caminho, já temos a resposta no nosso manual.
Mas acontece que nenhum de nós sabe de nada. E, com aquele medo insano que temos de nos machucar (sim, somos pretensiosos e inseguros), acabamos por agir conforme as pessoas dizem que se deve agir nesses assuntos do coração – levando tudo com cautela e uma certa frieza, pra não correr o risco de se apegar demais.  Só que as coisas não funcionam assim.
Quando algo fabuloso como o amor acontece em nossas vidas, ficamos inundados de uma felicidade tão grande que mal conseguimos nos conter. E pra conter, afinal de contas? Pois, ainda que conseguíssemos tal feito, qual seria o propósito de guardar tanta alegria? Afinal, você não vai ficar mais feliz reservando essa alegria apenas para ocasiões especiais – como um jantar romântico ou um aniversário de namoro. Também não vai ficar mais feliz escondendo isso do mundo. É possível, inclusive, que fique mais triste. Porque o outro, sem saber do seu amor, pode também ficar com medo de expor o dele – e aí ficam dois inseguros sozinhos, com medo de se relacionar.
E o que eu quero dizer com tudo isso? Que não precisamos ter medo. Que vamos passar, sim, por diversas desilusões em nossas vidas – a maioria delas por idealizarmos as pessoas como gostaríamos que elas fossem ao invés de aceitá-las como elas realmente são; vamos sofrer, chorar, achar que o amor é apenas uma criação de algum poeta romântico como Mario Quintana.  Mas olha, vindo de quem já passou por tudo isso: não é não. O amor é lindo mesmo, assim como nas poesias, e a gente tem mais é que buscar isso com todas as nossas forças, sem nunca desacreditar. Pois quando você acha aquela única e maravilhosa pessoa que te tira todas as inseguranças e medos, que te compreende sem julgar, que faz sorrir e sentir vontade de proclamar o amor, que faz você perceber que nunca esteve errado(a) em buscar com tanto afinco este sentimento que é quase mítico nos dias de hoje...Ah, daí sim que a gente aprende a viver!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Ignorance is bliss

Existe muita coisa que eu gostaria de esquecer, apagar, aniquilar da minha memória. Pra poder seguir normalmente sem guardar mágoa de ninguém, sem olhar na cara de certas pessoas e pensar: “meu deus, como eu te desprezo”. Mas não dá. Esquecer não é uma opção, então a gente segue ignorando certas coisas pra conseguir conviver em paz.
Na verdade, pra conviver em paz, a gente tem que ignorar quase tudo. A vida é um grande exercício de tolerância, isso sim.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Romantismo lírico agudo.

Toda vez que me pego lendo textos antigos (ou nem tanto assim), alguns dos quais nunca publiquei nesse ou em qualquer outro espaço cibernético, acabo me deparando com uma inegável verdade: sofro de romantismo lírico agudo.
Penso que quem lê meu blog e não me conhece pessoalmente deve imaginar que vivo por aí carregando fardos e fardos de lenços de papel, pra conter a quantidade de lágrimas que caem do meu rosto diariamente.
Mas olha, não é assim, não. A verdade é que a Mayra da vida real, aquela que tem uma vida social fora da blogosfera – afinal, sou bem mais contida nas demais redes sociais – é uma eterna apaixonada. Daquelas que se apaixona diversas vezes ao dias, pelo mesmo cara ou, às vezes, por caras diferentes.
E é paixão no sentido puro da palavra, porque é sentimento rápido e volátil, que pode desaparecer na instantaneidade de um piscar de olhos.  O que não quer dizer que seja menos intensa – que o diga meu coração, que bate desenfreado no meu peito quando estas tais paixões acontecem.
No entanto, o problema com essas paixões é que, se perseguidas na vida real, normalmente morrem como amores platônicos, cheios de sentimentos mal resolvidos e intenções cruzadas. Daí entra a Mayra virtual, que me deixa viver a fundo cada uma delas, mesmo que por apenas alguns parágrafos, dando a liberdade que preciso pra poder contar como seria o desfecho daquele sentimento na minha imaginação.

É claro que, por vez ou outra, esses episódios arrebatadores aos quais chamamos de paixões acabam se tornando coisas palpáveis e reais, que evoluem e se tornam grandes amores também na prática – daqueles que machucam tanto quanto alegram – mas isso é conversa pra outra hora...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Aos Srs. Credores do Banco Cósmico

Chega o ano novo e, junto com novas roupas e cortes de cabelo, chega também uma impaciência pra querer resoluções mais acertadas que as do ano anterior. E já tem uns anos que venho prometendo a mim mesma fazer o bem no ano seguinte, pois eu, que sempre acreditei nessa história de carma, esperando que isso realmente funcionasse e todo o bem que tinha feito voltasse pra mim, achava que esse era um exemplo de resolução acertada.
Porém, ultimamente, ando meio duvidosa da eficácia dessa coisa. Pois, até agora o carma só me tem feito esperar pelo momento em que estas boas ações que realizei retornem de alguma forma para mim.
Desta forma, se esse tal de carma realmente existe, só posso imaginar que essa maré de não retribuição seja por conta de alguma dívida que ainda não consegui quitar junto ao banco cósmico. Ou então que se trate de algum tipo de investimento a longo prazo, daqueles em que o retorno só começa a aparecer cinqüenta anos depois – quando, além de você não se lembrar que tinha o dinheiro, também não precisa mais dele.
E como essa situação de ficar com saldo devedor na minha conta cósmica todo mês está ficando cansativa, decidi me rebelar.  Pois acredito que estou pagando, e com juros, todo o mal que possa ter feito nessa vida. 
Por isso, gostaria de informar aos senhores credores do banco cósmico desde já que esta carta pode ser considerada meu protesto à dívida de carma que possuo junto a esta instituição. Assim, a partir de agora, cessarei o pagamento de toda e qualquer quantia ao banco cósmico, inclusive aquelas referentes à simples movimentação da minha conta.
Pra me ajudar ele nunca está aí, mas aposto que depois de ler esse protesto ele vem me pegar.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Espertos são os outros.

As redes sociais são o puro reflexo da ansiedade. Twitter, Facebook e, às vezes, até os blogs viram ferramenta da nossa necessidade de externar tudo, de imediato, ao mesmo tempo. Porque às vezes nos falha ou é simplesmente ausente o sistema de filtragem e, quando vemos, já vomitamos tudo sem analisar nada, sem dar tempo pra nada. A verdade é que fazemos isso o tempo todo, dando às redes sociais vida longa e próspera.  

Mas, veja bem, não estou dizendo que isso é culpa das redes sociais. Espertas foram elas de perceber a nossa fragilidade e nos dar um meio de colocá-la no mundo. Bombardeamos todos à nossa volta com milhares de sentimentos por dia, mares de opiniões colidindo a cada segundo. E não paramos muito tempo pra pensar antes de fazer isso – apenas deixamos vazar indiscriminadamente.

Levou um tempo e certa atenção até perceber isso, mas hoje evito falar tudo o que guardo aqui. E não foi por achar que não devemos falar – acho que a expressão nos faz mais atentos a quem somos, falei disso ontem. Mas foi por perceber que, colocando tudo tão rápido pra fora, às vezes esqueço-me de dar o tempo necessário pra processar aquilo que estou sentindo. Não é à toa que vivem dizendo que o tempo é o melhor remédio (por mais que a gente nunca acredite, eles são chamados de ditados populares por uma razão óbvia: todo mundo sabe).

E aí, quando penso nessa dualidade entre sentimento e racionalidade, sempre me vem à cabeça uma situação que acho que todo mundo já viu ou viveu na vida: a do melhor amigo instantâneo. Sabe aquela pessoa que, mal lhe conhece, já conta todos os detalhes da sua vida pra você? Enquanto você mal conseguiu dizer seu nome completo, ela já disse quais a viagens que fez, como é o sexo com o namorado, qual a falha da melhor amiga... Enfim, ela te dá tudo enquanto você ainda não deu nada, quando ainda está tateando o campo da amizade, avaliando se vale à pena agregar essa pessoa no seu círculo. Desnecessário dizer que, por vezes, isso gera um desconforto enorme. Porque, convenhamos, nem sempre queremos saber tudo o que o outro tem a dizer assim, de uma vez, tão rápido. Too much information, diriam os americanos.

Com as redes sociais, a situação é a mesma. Não é só porque o Twitter e o Facebook estão ali te dando corda que eles são seus melhores amigos. Claro, vocês podem vir a compartilhar uma grande amizade, mas isso nunca aconteceu do na instantaneidade de um segundo, não é mesmo?

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Meu sereno monstro.

As palavras – sejam elas escritas ou faladas – são o meu canal de comunicação com o universo. E, geminiana como sou, não posso viver num mundo onde elas sirvam apenas para expressar necessidades frívolas, como “me passe o pão” e “acho que hoje chove”. Sem estas preciosas palavras, eu jamais conseguiria expressar tudo que guardo aqui dentro. Seria perigoso até explodir com tanta coisa guardada!
E assim, para quem escreve, raramente escreve-se para o mundo, mas para si mesmo. Para se libertar de seus fantasmas, para amar com mais intensidade. E nesse mundo inventado pelas palavras, você não tem rosto – apenas opinião. Você não fala, se liberta. E é entrando em contanto com os nossos sentimentos mais íntimos que acabamos por nos conhecer – e também nos aceitar.
Não se trata de um relato, mas de uma experiência catártica que mais se assemelha a uma terapia silenciosa. E ali naquelas palavras, quase como mágica, às vezes muito tempo depois, você consegue reviver o mesmo sentimento que elas continham quando escritas.
E se aqui busco dividir meus pensamentos, não é por achar que sou digna de atenção. É por acreditar na premissa de qualquer um pode (e deve) se expressar. Seja uma expressão linda ou deficiente, quem se expressa tenta se conhecer. E quem consegue se olhar no espelho e entender mais do que apenas a cor de seus olhos, certamente é uma pessoa mais serena.
Pois, assim como quando lemos algo escrito por outro alguém que desperta um sentimento profundo em nós mesmos, ler as próprias palavras pode ser revelador. Só que há de se fazer tudo isso sob uma advertência: coragem. Pra aceitar não só o monstro que vive dentro de você – mas, também, aquele que vive dentro dos outros.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Fatos da vida real #3 (ou Uma manhã no banco).

Vamos combinar: banco é uma coisa muito irritante. Não acham?

Primeito ato:
Chego toda solícita às 9h50 da manhã, pego uma fila gigante pra entrar no recinto e, mesmo depois de já ter colocado os meus pertences metálicos e/ou magnéticos no guichê, sou parada na porta. Tiro todo o conteúdo da bolsa, continuo parada na porta. Coloco a bolsa no guarda-volumes e, surpresa!, ainda parada na porta. O problema? Minha jaqueta, que tem rebites na gola, estava parando o detector. Detalhe que, fora a irritação causada pelo fato do segurança ter me tratado como terrorista, ainda tive que voltar pro final da fila nas três vezes.

Segundo ato:
Espero minha vez. Sou chamada para o atendimento - era o número 11 -  porém, quando já sentei na cadeira e apresentei os documentos necessários, a moça do número 10 aparece e, pasmem, sou convidada a levantar para que a idiota - que só imagino que deveria estar em outro planeta, porque foi chamada três vezes - seja atendida antes de mim (!!!).

Terceiro ato ou Clímax:
Não bastasse o tratamento anti-terrorismo e educação de jumento à qual fui submetida, tive minha terceira surpresinha na saída. Como dito no primeiro ato, tive que deixar minha bolsa no guarda-volumes. Só que como as chaves do guarda-volumes ficam com a estagiária e não com o dono dos perteces (?), tive que ir atrás da fulana pra que ela pudesse abrir pra mim. Achada a mocinha, pedi com educação que precisava que ela abrisse o guarda-volumes. Ela disse que 'já vou'. Passei na porta giratória e me postei ao lado do armário, imaginando que seria seguida por ela. Viro pra trás e ninguém. Agardo quase dez minutos e ninguém. Chamo o segurança do outro lado do vidro e ninguém. Entrei de volta, chamei a amiga de volta e ela, que devia ser parente do cara que me atendeu (jumenta idem), me responde que 'EU NÃO POSSO AGORA!!!'. Sim, as letras garrafais refletem o tom de voz dela. Detalhe que #1: nesse momento, ela estava na duríssima função de retirar as senhas para os clientes - função esta que, de tão sigilosa e complicada que é, jamais poderá ser desempenha pelo próprio cliente! Repito: jamais! E #2: mesmo eu tendo demonstrado minha profunda indignação ao perguntar quantas pessoas ela ia atender antes de me ajudar, ela continuou na função de desempenhar o serviço top secret dela ao invés de me acompanhar.
Do lado de fora já, mais uns cinco minutos de espera passados, perdi o controle. Porque claro, não basta ser cliente. Não basta pagar impostos, trabalhar e todas essas coisas. Negócio é ser tratada mal pelo serviço que você contribui para sustentar. Levantei a voz e chamei estagiária, funcionário e segurança de incompetentes.
Não resolvi absolutamente nada no banco porque o meu cadastro pro fundo de garantia estava errado, mas saí de lá com a alma lavada!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A cruel sede de amar.

Pois foi agora, agora mesmo que comecei a ler um novo livro. Não vou lhes contar qual é, mas por mil razões ele é muito especial pra mim. Sinto quase como se este fosse o primeiro livro de toda minha vida.
Terminadas as primeiras páginas da primeira crônica, decidi algo muito importante. Algo que muito provavelmente vai mudar a forma como penso sobre a leitura: decidi que quero saborear este livro devagarzinho – ao contrário dos outros que antes vieram, os quais nunca duraram mais de uma semana inacabados. Simplesmente porque sei que depois dele nada será igual. A verdade é que sempre soube disso e, talvez por isso, venho adiando sua leitura tanto quanto consigo – com medo do que essa mudança pode causar em mim.
Pois este não é o tipo de livro que se lê como quando lemos um livro para um exame. Não há pressa, não há necessidade imediata. Há apenas uma imensa sede de cumplicidade literária. Sinto que deveria tratá-lo, então, como se fosse um novo e extasiante amor que me apresenta sem pressa suas nuances, surpreendendo um pouquinho a cada dia.

domingo, 28 de março de 2010

Sobre uma paixão.

O que te motiva? O que te impulsiona? Quanto tudo parece completamente sem sentido, o que é que te impede de não mais esperar por dias melhores?
Uma música.
Uma simples canção pode simplesmente mudar o rumo da sua vida. Assim, com essa simplicidade toda ela vem e te deixa mais feliz, mais consciente, mais sensível. A música certa pode definir um momento. Ele pode te beijar ou não, pode lhe pedir em namoro ou não. Mas, se aquela música tocar, não vai existir qualquer outra opção que não o beijo, que não o pedido.
E aquele dia cinza que se clareia simplesmente porque escutamos nossa música preferida? E ela nos coloca num estado de espírito quase intocável. Pois a música tem dessas coisas de mudar o nosso humor, de reverter as situações simplesmente porque reconhecemos o primeiro acorde – ao passo do qual daí já sabemos a exata seqüência de notas que se seguem.
É tão sublime que muitas vezes sentimos como se não pudesse ser melhor se tivéssemos escritos nós mesmos as letras para aquelas canções! Pois, se não, como explicar o efeito devastador que “Outra Vez” tem em mim? Ou as lágrimas de dor que canto junto com “The Best of You” ou “Everlong”? E ainda a vontade quase instantânea que sinto de dançar quando ouço “Blister In The Sun”? Ou como o simples fato de escutar “Angel On My Shoulder” ou “I Got a Feeling” me faz ter vontade imediata de me arrumar para a melhor noite da minha vida?
A melhor música escutada no pior momento pode se tornar uma marcha fúnebre. Assim como a pior música escutada no melhor momento pode ser tornar um hino.
E as viagens de carro? O que seriam delas sem a música correta? Lembro-me de ir chorando na viagem até a casa da minha avó porque tocava Maria Bethânia no carro – e ah!,como a voz dessa mulher deixa tudo mais bonito e triste ao mesmo tempo! Ou da minha paixão de infância por Chico Buarque e Demônios da Garoa, que são certamente os autores das músicas preferidas do meu pai.
É tão intenso que fico extremamente triste quando alguém me diz que “não liga muito pra música”. Pois, a mim parece simplesmente absurda a idéia de que exista alguém no mundo que não sinta atração imediata por algo tão sublime – que nos desperta diversas emoções, reaviva e cria tantas memórias, simplesmente por ser exatamente aquilo que precisávamos ouvir.
Vamos cantar?

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Analisando meu eu lírico.

Faz quase um mês, eu sei. Não vou pedir desculpas porque sei que ninguém, além de mim, se importa com a frequência de publicações desse blog.
Escrever é uma coisa engraçada. Pra mim, ao menos. Comigo, a escrita funciona como um tipo de terapia silenciosa - uma forma de eu dizer tudo o que penso e compartilhar o que sinto com alguém, mesmo que nenhuma pessoa chegue a ler esse texto.
Eu tinha uns dois textos pra colocar aqui. Que eu escrevi em momentos de profunda revolta. E é engraçado o que surge destes momentos. Funciona mais ou menos assim: naquele minuto, aquele amontoado de palavras parece extremamente sensato e razoável - digno de uma pessoa bem resolvida. No entanto, depois de algumas horas ou dias, após colocar as coisas em perspectiva, você acaba percebendo que, além do assunto em si não ser tão interessante assim, ele já nem apresente nenhum interesse pessoal - a ponto de você desistir de publicar seus pensamentos a respeito. Descobri que isso se chama reflexão.
Refletir sobre aquilo que você escreveu te ajuda a entender o momento pelo qual você estava passando quando escreveu determinada coisa, e isso é uma coisa boa.
É bom olhar pra trás e conseguir entender seus sentimentos de uma forma racional. Claro, nem sempre isso acontece - até porque racionalizar sentimentos é coisa difícil de fazer - mas é uma boa terapia.
As minhas auto-análises textuais me disseram ao longo dos anos que tenho dificuldades em lidar com o sexo oposto, e que sou extremamente impulsiva e exagerada quando se trata de emoções. Olhando assim, eu pareço uma bagunça. Meu consolo é que, de perto, ninguém é normal mesmo.
Mas, a única coisa que me deixa realmente feliz com essa conclusão é o dinheiro que eu economizei em terapia. O qual eu gasto num outro tipo de terapia, muito eficaz entre as mulheres: sapatos.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Paralelas.

Tem coisas com as quais não concordo nessa vida. Você pode vir, tentar me explicar... posso até entender, mas vou continuar não concordando.
O fato de como as mídias sociais facilitaram a banalização, por exemplo. Primeiro, vamos esclarecer: nada contra as mídias sociais, acho ótimo, válido e super faço parte desse contexto. Mas, todos temos que concordar que, ao se tornarem uma pequena (ou grande) extensão da nossa vida, elas abriram espaço para que algumas pessoas exagerassem no compartilhamento de informações (leiam: fotos, sentimentos, revoltas, etc.).
Morre alguém, você bota um LUTO bem grande pra todos os seus 579 amigos verem que você está sofrendo. Você tirou fotos umas fotos mais insinuantes, que legal. Mas todos os seus 579 amigos precisam vê-las?
Ninguém na vida real chega alardeando pra todos os amigos que está de luto. Nem compartilha fotos mais pessoais com todos. Porque? Porque a gente filtra... tem coisas que são mais pessoais que outras.
Na internet parece que as pessoas perderam essa noção de intímo, de pessoal. Tudo é passível de análise microscópica pelos seus 579 amigos. Onde você vai/foi, que tipo de brincadeira você faz com seus amigos mais próximos, tu-do.
Do ponto de vista leigo, basta dizer que essas pessoas não são todas seus melhores amigos. E que algumas delas podem nem gostar tanto de você assim. Você realmente quer compartilhar toda a sua vida com elas, sem discrições?
Mas do ponto de vista psicológico - e, porque não, até sociológico - essas atitudes demonstram como as mídias sociais facilitaram o caminho para a exposição. Coisas que você provavelmente nunca faria na vida real... a world wide web te dá essa abertura. Tem gente que cria completamente outra persona pra viver nesse mundo - vide Second Life e The Sims!
Daí a coisa deixa de ser apenas uma extensão online da sua vida e passa a ter completamente outro prisma, passando a ser uma vida parelela, na qual nos sentimos perfeitamente confortáveis pra sermos coisas que jamais sonharíamos ser na vida real.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Momento lojinha.

Eu não sou muito fã de divulgar coisa alheia no meu blog mas, além da pessoa ser uma grande amiga minha, ela é talentosa e merece!
Essa é a coleção de acessórios da minha amiga Anna Paula Martinelli. Ela é designer de jóias e também desenha e confecciona roupas, além de trabalhar em uma das malharias que vendem tricots para todas as marcas hypadas do Brasil - como Animale, NK Store, Carmin, entre outras - a Lafort.
Tem colares para todos os gostos e o preço é super acessível (na faixa dos 40 a 55 reais), além de serem de ótima qualidade e terem o meu selo de aprovação - que sou fã da Anna desde os primórdios e possuo, em minha coleção de jóias, um design exclusivo que somente eu e a própria designer temos nesse mundo.
Pra quem não gosta de bichos e não curte muito preto, ela também está fazendo acessórios em acrílico branco e transparente, além de ter uma cartela de pingentes gigante, ou seja, não precisa ser igual o de todo mundo!
Quem tiver interesse é só deixar um comentário ou um reply pra mim no Twitter que eu mando o contato da moça pra vocês!
Aí vão as primeiras peças dessa coleção... eu adorei!







Não são tudo?!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A questão fundamental.

Ahhh, os homens... sempre culpados pelas nossas loucuras!
Perguntam pras pessoas se elas nos conhecem mas, quando obtém uma resposta positiva, dizem que somos apenas amigas. Deixam várias ligações perdidas no seu celular mas, quando você retorna, dizem que não era nada.
Como entender?
Se você chega com tudo, se assustam. Se você se faz de durona, dizem que você é arrogante. Mas como se faz para chegar mais ou menos com tudo, ou mais ou menos durona? Nós, mulheres, tentamos sempre pavimentar o caminho do relacionamento. Ou seja, tentamos sempre fazer as transições mais suaves e o caminho mais calmo.
Muitas vezes, no entanto, temos que adivinhar as coisas que eles querem afim de melhorar esta estrada. Ele não gosta de unhas vermelhas? Pintarei de branco. Ele gosta de vestidos? Usarei mais modelitos. Ele gosta de cabelos mais longos? Vamos deixá-los crescer.
Sério, algum deles, em algum momento da nossa existência, perguntou como NÓS gostamos das coisas? Não. Porque nós escolhemos viver ao som de Ivete Sangalo e cantar: "não precisa mudar, vou me adaptar ao seu jeito [...]".
Mas seria mesmo esta a forma correta de levar um relacionamento? E não digo somente por mim, mas vejo amigas, conhecidas e até desconhecidas presas nesse vórtex de submissão ao jeito deles. E os poucos casos em que vejo a mulher no comando da relação, supresa (!!!): elas não gostam deles porque eles porque os acusam de ser, por falta de melhor palavra, paus mandados.
De onde vejo, não é somente um problema específico de cada mulher ou relacionamento... é uma cultura arraigada, que remonta o reconhecimento das mulheres por direitos iguais - tanto humanos quanto políticos - e, além disso, o reconhecimento (emocional) das mulheres como merecedoras de amor, respeito, consideração e afeto.
Isto não só manchou as atitudes masculinas, como também nos fez acreditar que a submissão - até em níveis nem sempre perceptíveis como estes - é passível de aceitação. E daí vem o questionamento: será que a culpa é realmente deles? Ou seria nossa que hoje, depois de anos do reconhecimento dos direitos da mulher, continuamos a aceitar o papel submisso dentro do relacionamento, acatando decisões e achando que tudo isso é mais do que normal?
Há que se fazer esforços no sentido de não prolongar estas atitudes, nem que seja o simples ato de se olhar no espelho e pensar: eu mereço mais.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Sem mistério.

Curso de etiqueta social. Seriously?
É, o clube de campo do qual sou associada mandou um e-mail me oferecendo um curso de etiqueta social.
Okay, nada contra boa educação. Mas, sério... isso é básico. Modos. Não arrote à mesa (a não ser que você esteja na Índia ou Oriente Médio), não solte pum em público, não fale mais alto que todos, não encare as pessoas, mastigue de boca fechada, use os talheres corretos.
Tudo bem, talvez eu não saiba comer lagosta, mas pô... bom senso, né povo?
Sua mãe não precisa te dizer tudo isso - muito embora ela vai acabar dizendo - pra você saber que certas coisas são falta de educação. É só olhar em volta.
Tá indo numa festa das colegas de faculdade da sua avó? Vista um vestido menos curto.
Tá no escritório? Não ria tanto ao telefone com a sua amiga.
Foi jantar na casa dos pais do seu futuro marido? Não arrote à mesa e não encare a roupa da sogra.
Resolveu fazer uma aula de meditação e yoga? Não fale alto.
Isso é básico, gente. Não saber usar o talher certo pode ser uma gafe, mas só seria falta de educação se você soubesse qual de fato usar e se recusasse a fazê-lo.
Na dúvida, sempre dá pra perguntar. E não mata ser simpático em situações em que você está completamente fora do seu elemento. Um sorrisinho simpático praquele senhor sem graça pode ser o ticket para o melhor emprego da sua vida, you never know what life will bring along...
Observar te leva longe. E a melhor maneira de ser aceito em um ambiente é agir de acordo com aquilo que a ocasião pede.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Under the radar.

Nesse mundo, ainda estou passando por baixo do radar. Ninguém ainda guardou relação entre nome e pessoa quando isto respeito à minha pessoa. Quer dizer, além das pessoas pra quem eu declaradamente informei minha existência virtual, eu ainda sou só mais uma.
E, sinceramente, me alivia essa sensação. Não pelo fato de que gosto de ser mais uma na multidão - longe disso, vocês sabem - mas só pelo doce sabor de não ter que dar conta de cada coisa que penso ou escrevo. De não ter que explicar o porquê das coisas. Isto, meus caros, é um alívio.
Era um saco a época que eu tinha um blog pseudo-conhecido. Milhares de comentários, várias opiniões... sendo que a grande maioria era apenas uma interpretação limitada daquilo que estava escrito. Não gente, não tenho nada contra críticas. Mas eu só aceito se elas vierem de uma pessoa que sabe interpretar.
Não aceito opiniões de analfabetos funcionais da literatura, por favor. Saibam que interpretar é entender aquilo que está escrito de acordo com o contexto do autor. Ler o que se apresenta e fazer correlações com a sua vida pessoal ou com aquilo que você imagina que o autor está sentindo bem LÁ NO FUNDO não é interpretar. Fikdik, crianças.
Por isso que eu gosto desse meu anonimato, cuidadosamente feito à mão. Eu sou só mais uma Mayra neste mundo virtual, das tantas que por aí devem haver. Escolho poucos pra compartilhar, porque sei que não vou me irritar tentando reensinar um conceito básico de linguagem.
E enquanto o mundo gira lá fora eu fico aqui, quietinha, armando minha revolução na surdina.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Guru pop.

Estava lendo um blog ontem, que por responsabilidade jurídica e temor de retaliações (hahaha, aham!) não irei citar qual é, onde a moça ficava goin on and on sobre como ela ria da infelicidade de seus inimigos. Gente, inimigos? Oi, o que é isso? Que coisa mais ultrapassada ficar odiando as pessoas. Ter arquinimigos. Chega a ter até um tom meio vintage escutar que uma pessoa tem um inimigo nos dias de hoje. Inimigo é coisa dos autos de 1800 e lá vai pedrada. Quando as pessoas matavam os outros pra defender sua honra, quando os conceitos de amizade e, principalmente, de lealdade não eram pautados por iteresses instantâneos.
Hoje, basta a fulana ficar com o cara que você ficava e pronto, está feito o inferno! Ou alguém que você gosta começar a andar com alguém que você não suporta. Sei lá, alguma dessas coisas da vida. Eu já passei por isso, oras, sou mortal. Mas cá com meus botões, aprendi a esquecer essa coisa de inimizade. Como é cansativo ficar observado o fracasso do outro. Declarar discórdia pros 4 ventos.
Porque não deixar o carma tomar conta do assunto e esperarmos sentados pelo resultado, sem sofrer qualquer tipo de culpa emocional por ter (mesmo que inconscientemente) impulsionado o fato? Moderninha eu, né? Praticamente uma Madonna com a sua cabala.

Mas falando sério... o ditado é velho, mas na voz do J.T. ecoou na minha alma: "what goes around, goes around, goes around... comes all the way back around". E juro que digo isso com propriedade, porque já fui mordida no rabo zilhões de vezes.

Cansei de querer enganar, dissumlar e esperar o fracasso alheio. Se estou com dois caras ao mesmo tempo, tenha certeza que ambos estarão cientes. Se penso em beijar outro naquela noite, pode deixar que eu aviso antes. Se eu não gosto de você, a notícia chegará aos seus ouvidos pela minha pessoa. Se você é minha competição direta, pode deixar que eu te dou um heads up. E lido com as consequências no melhor estilo Faustão de "quem sabe, faz ao vivo".

Faço as coisas que eu quero, não meço palavras e caras feias mas, em compensação, também não me ofendo com as que são direcionadas pra mim. Bem mais simples e ainda ajuda você a evitar as famosas rugas de preocupação que surgem quando ficamos franzindo a testa constantemente.

Afinal, quer coisa mais exaustiva de ficar acompanhando os passos de outra pessoa e nem sequer ser pago por isso? Se eu ainda trabalhasse no Ego...